O Enigma da Boiada Desaparecida






 O Enigma da Boiada Desaparecida

The Mystery of the Vanishing Cattle

Nas histórias da minha família, poucas aventuras são tão cheias de coragem quanto as do meu avô João Martins — tropeiro valente, perspicaz e dono de uma intuição que salvou muita gente pelos caminhos poeirentos do interior.

Era meados dos anos 1930 quando ele seguia rumo ao Mato Grosso, conduzindo cento e cinquenta cabeças de gado, numa viagem que duraria quase três meses. Minha vó Dina contava que foi nessa jornada que viveram um dos maiores apertos da vida.



Já perto da divisa entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, meu avô percebeu algo estranho: algumas vacas haviam desaparecido, como se tivessem evaporado da noite para o dia. Chamou os peões, conferiram a boiada, organizaram vigílias — mas nada. Nem um movimento, nem um mugido suspeito. E, ainda assim, na manhã seguinte, mais duas cabeças haviam sumido.

Intrigado, João tomou uma decisão:

— Essa noite eu mesmo fico de vigília. Vamos ver o que está acontecendo.

E assim fez. Subiu no último galho de uma grande árvore, de onde tinha a visão perfeita dos arredores. A madrugada avançava devagar, quando, quase no nascer do sol, algo chamou sua atenção: uma moita se movia lentamente… no meio da boiada.




Meu avô desceu da árvore, acordou um peão e, num silêncio de gato-do-mato, se aproximaram da moita. Num só movimento, ergueram as folhagens — e lá estava o meliante.

A engenhosidade do ladrão impressionou a todos. Ele cavava valas profundas em locais estratégicos, camuflava com galhos e folhas e, durante a noite, empurrava discretamente as vacas sonolentas para dentro da armadilha. Quando caíam, ele cobria tudo novamente. De manhã, a comitiva seguia viagem sem notar o desaparecimento.

Mas naquela noite o plano dele desabou.




Meu avô recuperou as vacas e levou o sujeito para a delegacia da região. E ainda chegou feliz ao destino final, entregando a boiada completa, como sempre fazia — com honra, coragem e aquele faro de quem conhece a estrada como quem conhece a palma da mão.

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@jerrygraciano

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In the stories of my family, few adventures carry as much courage as those lived by my grandfather, João Martins — a brave drover, sharp-minded, and guided by an instinct that rescued many people along the dusty roads of the Brazilian countryside.

It was the mid-1930s when he set off toward Mato Grosso, driving one hundred and fifty cattle on a journey that would last nearly three months.

My grandmother Dina used to say that it was on this trip that they faced one of the greatest challenges of their lives.

Near the border of São Paulo and Mato Grosso do Sul, my grandfather sensed something strange: a few cows had vanished overnight — as if by magic. He called his men, counted the herd, organized night watches, and kept everyone on alert. But nothing. Not a sound. And yet, the next morning, two more cows were missing.

Puzzled, João made his decision:

— Tonight I’ll keep watch myself. We’ll see what’s going on.

He climbed the highest branch of a tall tree that overlooked the whole camp. As dawn approached, something unusual caught his eye: a bush was moving… slowly… right in the middle of the herd.

He climbed down, woke a cowhand, and together they crept forward in total silence. With a quick motion, they lifted the branches — and caught the thief.

The bandit’s method was surprisingly clever. He dug deep pits along the drovers’ routes, camouflaged them with branches, and during the night nudged sleepy cows into the trap. Once the animals fell in, he covered everything again. By morning, the herd would continue on its way, unaware of the loss.

But that night, his plan failed.

My grandfather recovered the missing cattle, delivered the thief to the nearest police station, and reached his final destination with the entire herd — complete, intact, and proof once again of his bravery and unshakeable intuition.


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